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2.
QUAIS SÃO OS
OBJETIVOS DO NOVICIADO?
Primeiro objetivo: busca de
Deus e melhor conhecimento da vocação
A vida se deve orientar a uma
busca exclusiva e sobrenatural de Deus quem chama e quem
deve ser correspondido. Esta é a principal ocupação do
noviço, procurar a Deus, Deus revelado pela fé. Não se
ingressa para dedicar-se à ciência, à filosofia, à teologia,
tampouco à arte, ou para capacitar-se para o apostolado ou
para o trabalho educativo. É verdade que devemos servir a
Deus com os talentos que Ele nos dá, mas estas obras serão
só meios para um fim mais alto, e nosso fim é Deus em si
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O discernimento e a
comprovação da vocação é o objetivo primário que implica
estudo, distinção, elucidação, purificação, seleção.
Desemboca organicamente na comprovação verificada do
discernido, que é a vocação. A comprovação procede, não em
abstrato, a não ser sobre a base dos fatos, gestos ou sinais
reais.
Tendo em conta o que já
dissemos, esta primeira casa de formação não deve ser baixo
nenhum ponto de vista um mero internato de estudantes,
tampouco tem nela um papel principal o estudo, seu lugar é
importante em ordem ao conhecimento de Cristo e dos
fundamentos da vida espiritual; as matérias que se ensinam
são claramente espirituais. Sua ocupação tampouco é o
apostolado, ou o trabalho manual. Todos estes são meios para
encontrar a Deus.
Para que esta busca seja
sincera deve ser exclusiva, deve-se procurar Deus por si
mesmo, não por seus dons nem suas consolações. Deus quer que
gostemos de quão doce é o servi-lo. Buscar outra coisa é não
encontrar tudo em Deus; não poder dizer com São Paulo:
“Tudo considero perda, pela excelência do conhecimento de
Cristo Jesus, meu Senhor. Por Ele, eu perdi tudo e tudo
tenho como esterco, para ganhar a Cristo” (Fl 3,8).
Segundo objetivo:
conhecimento de si
O conhecimento de si mesmo é
de suma importância no inicio. No noviciado deve-se começar
a edificação espiritual e é muito importante saber com que
materiais se constrói.
Este conhecimento
tem dois momentos: conhecimento dos defeitos e limitações e
conhecimento dos dons recebidos.
Conhecimento
dos talentos. Quanto ao reconhecimento dos dons
recebidos, talentos e potencialidades é necessário que o
Mestre saiba abrir campos de ação, portas, caminhos pelos
quais possam transitar os noviços. Na ordem intelectual
pô-los em contato com grandes obras, grandes escritores,
animando-os a sua leitura, mostrando-lhes de diversos modos
a importância de seu conhecimento.
Introduzi-los no conhecimento
dos distintos ramos do saber: filosofia, Escritura,
teologia, moral, por meio das matérias estabelecidas e, pela
participação de congressos ou outras atividades, que embora
excedam sua capacidade de compreensão, abre-lhes panoramas
novos.
Devem-se projetar
grupos de estudo e distintos meios de motivação intelectual.
Na ordem da conduta também é
necessário que valorizem e utilizem seus dons morais. Por
ser o noviciado uma família composta exclusivamente de
noviços, além de seus poucos formadores, são eles os que
deverão levar adiante as distintas atividades, já sejam
apostólicas, evangélicas, missionárias, e as de ordem
interna, trabalhos, cozinha, economia, etc. Aqui dependerá
da capacidade do formador o encontrar a pessoa adequada para
o posto adequado e logo lhe delegar responsabilidades.
Deverá mostrar confiança para que cada qual se afirme em
suas responsabilidades. Vendo tudo, saberá intervir só no
importante.
Conhecimento dos defeitos.
Mas talvez nos primeiros tempos é mais importante tratar de
conhecer os próprios defeitos para arrancar os males.
Para isto é o
noviciado um tempo mais que propício. A comunidade é ainda
reduzida, e se não o é em número, ao menos todos estão
dedicados ao fim, sem tanta variedade de objetivos como em
outra casa religiosa. É uma família e todos estão à vista do
superior. É muito difícil não dar-se conta do que acontece.
Além disso, o Mestre de noviços tem mais tempo para
atendê-los espiritualmente e mostrar-lhes seus enganos ou
desvios. Tem uso de meios mais pessoais no ensino. A
situação dos noviços é distinta da de um religioso maior.
Não formaram ainda juízo e portanto estão necessitados de
tudo, prontos a receber qualquer conselho ou chamado de
atenção.

Mas, sobretudo, o major bem
quanto ao conhecimento das próprias faltas e
defeitos o proporciona a mesma vida diária em comunidade. Em
um noviciado sempre se começa de zero, não há nada armado, o
grupo humano não é para nada homogêneo: distintas
procedências, famílias, costumes, cultura, que aos poucos
dias ficam de manifesto. Ao ter que tomar determinações,
obrar por própria conta, organizar atividades, que em outras
casas religiosas estão reservadas a alguém com vários anos
de experiência; ao acontecer todo o dito, muito em breve se
toca com fracassos, desânimos..., o que dá ocasião para
apalpar as próprias limitações pessoais. É dever do superior
levar o pulso da situação e estar muito atento a tudo, para
saber frear aquilo que possa ser grave e fazer tirar
experiência do resto. Para o qual não deverá repreender
exaltadamente a má obra, a não ser fazer notar a raiz de
onde procede, para que se chegue assim ao conhecimento dos
próprios limites e defeitos.
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